por Marlon Brambilla

Pabllo Vittar: “ser vadia é lutar por seus direitos, ser do jeito que se quer ser”

“Já fui rejeitada até pelo Bob's”, revela a drag queen que, no “Amor & Sexo”, samba na cara do preconceito

por Marcio Caparica

“Sou vadia mesmo! A gente quis SIM tocar nesse assunto. Vadia é uma coisa que muita gente é mas diz que não é”, dispara Pabllo Vittar, a drag queen que há um ano canta no programa Amor & Sexo, da rede Globo. “As vadias são as pessoas hoje que se empoderam, vão atrás dos seus direitos. Se ser vadia é lutar por uma coisa que você acredita, usar a roupa que você quer porque você quer, ser do jeito que você quer ser porque você nasceu assim, então eu sou vadia. Sou vadia todo dia!”

Esse comentário vem na esteira da canção “Todo Dia”, que Vittar gravou com o rapper Rico Dalasam. “Eu não espero o Carnaval chegar pra ser vadia / sou todo dia! / sou todo dia!”, cantam no refrão que tem tudo para dominar o carnaval desse ano. A faixa está presente no álbum que Vittar acaba de lançar, Vai passar mal, o primeiro de sua carreira.

Ouça abaixo a entrevista de Pabllo Vittar no Lado Bi:

 

vai-passar-malNas dez faixas que compõem o disco, totalmente autoral, Vittar continuou a misturar o bate-cabelo com ritmos brasileiros. “A gente quis manter a essência de misturar os sons que a gente gosta com os sons daqui. Tem a ver com meu jeito de ser: você sempre vai me ligar a um pagode, um sambinha, um technobrega… Eu gosto de fazer música para o pessoal que escuta música em português”.

O sucesso chegou rápido desde que a drag queen publicou o vídeo de “Open Bar”, versão de “Lean On” do Major Lazer. Desde então Vittar conquistou um lugar na banda do programa Amor & Sexo, apresentado por Fernanda Lima, e tomou o coração de uma legião de fãs, os autoproclamados “vittarlovers”. “Gente, eu morava numa invasão no Maranhão”, relembra. “O começo foi muito difícil pra mim. Mas eu fui atrás do meu sonho, não desisti.”

Quem vê os olhos de Pabllo Vittar se encherem de lágrimas ao falar da relação que tem com seus fãs percebe que ela voa alto, mas mantém os pés no chão. “Agradeço muito a meus fãs. Acho que eu não tenho um público, eu tenho pessoas que me ajudam. Eles sempre estão me mandando coisas, e dicas, e pensamentos e me dando força mesmo.” Mas essa relação de apoio é uma via de mão dupla: as músicas da cantora trazem mensagens de empoderamento e positividade que jogam para cima o corpo e o coração de quem as ouve. “Acho que as pessoas que começaram a ouvir minha música estavam no mesmo momento que eu. Eu precisava ouvir aquilo, uma mensagem de que eu não estava sozinha, que tudo ia melhorar… Hoje muita gente me diz: ‘Pabllo, eu estava pensando em suicídio, mas no dia que eu ouvi suas músicas, as coisas passaram a fazer sentido pra mim”.

Hoje ela ganha projeção e dá nó na cabeça de muita gente ao explorar sua feminilidade e manter um nome masculino. Mas já foi alvo de muita rejeição por ser afeminada (“Já fui rejeitada até pelo Bob’s por causa disso”, confessa.). Por isso que hoje não deixa barato os preconceitos internos da comunidade LGBT: “não minto, a minha paixão é pelas afeminadas, levanto a bandeira delas mesmo. Até porque são elas que dão a cara ao tapa, elas que vestem o shortinho, elas que estão na balada se jogando. Muita gente sofre muito bullying em aplicativo porque tem cabelo mais comprido, ou a sobrancelha desenhada, ou porque é mais gordinho, ou negro… Eu não entendo.”

Projetar-se nas televisões do Brasil, no entanto, não rendeu a Pabllo Vittar apenas fãs, mas também críticos ferrenhos. A seus haters, ela só responde: “Amo cada um deles, porque fazem mídia grátis pra mim”. Realmente: Vai passar mal estreou como o segundo disco mais comprado na iTunes Store. “Haters, continuem falando, que a mamãe tá amando”.

por Marlon Brambilla

Quem acompanha Amor & Sexo certamente vai se lembrar quando a mãe de Vittar foi vê-la cantar montada pela primeira vez durante o programa, e a cantora caiu no choro. “Imagina, eu já chorava quando minha mãe ia me ver cantar na escola, é claro que ia acabar chorando na hora”. Desde então sua mãe já a viu cantar outras vezes, sem provocar choro, garante. “Minha mãe já comprou calcinha comigo, foi um luxo! Foi ela também quem me deu as primeiras coisinhas para fazer maquiagem. No início ela não gostou muito, mas daí viu que eu não ia parar, então achou melhor ajudar mesmo”.

Vittar fez um disco dançante, cheio de canções certeiras. “As músicas têm a duração certa para deixar as pessoas com um gostinho de ‘quero mais’. A gente até tirou uma faixa do álbum, para ele ficar redondinho”. Essa faixa e outras mais que entraram na fila de espera durante a produção de Vai passar mal estão guardadas para o próximo álbum, que, espera, não vai levar muito tempo para ser lançado: “pode esperar, meu amor, que daqui a um ano tem o PV2“. Até lá, Pabllo Vittar quer continuar a rodar o país e manter-se próxima de seus vittarlovers. “Eu faço questão de ficar acordada de madrugada respondendo os inbox. Tenho uma certeza na minha vida: eu nasci pra cantar e nasci pra estar num palco batendo cabelo, sambando na cara das inimigas”.

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